Saltério Reformado

Perguntas Frequentes

  1. A qual denominação pertence a CBS?
    A CBS é uma comissão formada por membros reformados e confessionais da Igreja de Cristo. Há membros presbiterianos, reformados e batistas-reformados. Cremos que os salmos devem ser entoados pelo povo de Deus espalhado sobre a face da terra e pretendemos contribuir com o seu uso por crentes de fala portuguesa.
  2. Por que não utilizar os "salmos" já disponíveis em hinários brasileiros como, por exemplo, o hinário "Salmos e Hinos"?
    A grande maioria desses salmos são, na verdade, paráfrases com acréscimo ou subtração de ideias em relação aos salmos originais. A CBS pretende metrificar traduções dos salmos da maneira mais fiel possível aos originais e à versão Almeida Revista e Atualizada da Bíblia Sagrada, muito popular entre os cristãos lusófonos. Onde esta versão está em conflito com outras traduções e com o texto hebraico, toma-se cautela para melhorar a tradução.
  3. Qual é a diferença entre metrificação e paráfrase?
    A metrificação consiste em ajustar a quantidade e a disposição das sílabas de um texto em relação a uma determinada métrica regular, a fim de que o texto possa ser entoado em compatibilidade com uma determinada melodia. A paráfrase pode envolver métrica, mas altera o texto original além de sua forma e passa a alterar substantivamente o conteúdo. O procedimento de paráfrase é utilizado na tradução de músicas, mas em geral é descartado na tradução de material bíblico.
  4. O Saltério Brasileiro é uma tradução do Saltério de Genebra?
    Não. O Saltério Brasileiro é uma metrificação dos salmos bíblicos para que sejam cantados com (1) as melodias respectivas no Saltério de Genebra e (2) outras melodias sacras que sejam adequadas ao canto congregacional.
  5. Por que cantar as melodias do saltério genebrino?
    Por vários motivos. Dentre eles, o fato de o saltério genebrino ser entoado por comunidades reformadas no mundo todo, incluindo Holanda, Hungria, França, Japão e até mesmo Turquia. As comunidades de fala portuguesa na Batávia (Indonésia) utilizavam o Saltério Genebrino como o seu hinário durante o tempo de João Ferreira de Almeida e de Jacobus op den Akker, tradutores da Bíblia Almeida no século XVII.

    Há, também, motivos de natureza musical, como, por exemplo, o fato de as melodias serem facilmente identificadas com os seus respectivos salmos (o que não ocorre em outros saltérios, pois em geral utilizam-se melodias de hinos conhecidos aleatoriamente selecionados para serem acoplados aos salmos), e o fato de terem sido cuidadosamente elaboradas para o uso congregacional, seguindo regras necessárias e regras recomendáveis para esse tipo de composição.
  6. Além das melodias do Saltério Genebrino, que outras composições fazem parte do Saltério Brasileiro?
    As demais melodias figuram na hinodia evangélica e protestante mundial como melodias de hinos congregacionais. Algumas coincidem, por exemplo, com as melodias do Trinity Psalter (muito utilizado nos EUA). Outras, com melodias de hinários brasileiros como, por exemplo, o Novo Cântico, o Cantor Cristão e o Hinário Luterano. Com isso, muitos dos cristãos poderão identificar melodias já conhecidas.
  7. O Saltério Brasileiro poderá incluir melodias contemporâneas?
    Em princípio, sim. Porém, a esmagadora maioria das melodias contemporâneas evangélicas são inadequadas ao canto congregacional, sendo mais adequadas a apresentações musicais. Um importante critério musical para a seleção das melodias é o ajustamento ao canto congregacional, incluindo ritmo e métrica melódica regulares. Existem compositores contemporâneos que seguem esses padrões (ver, por exemplo, o Psalter Hymnal da CRC), porém, a maioria das composições evangélicas popularizadas atuais são feitas por pessoas que nunca estudaram ou seguiram tais padrões. Além disso, existe a questão dos direitos autorais, o que torna difícil o uso de melodias contemporâneas que estejam registradas.
  8. Quem é o autor das metrificações do Saltério Brasileiro?
    A CBS coletivamente. Membros individuais da Comissão, bem como outros metrificadores, sugerem um rascunho inicial. O rascunho é todo ajustado tendo em mente o texto hebraico e a Bíblia Almeida. Em geral, diversas modificações são feitas, de modo que a versão aprovada pela CBS deixa de ser obra de um só tradutor e passa a ser resultado do esforço coletivo.

    Outros critérios também são considerados, embora tenham menor peso: desejamos disponibilizar um saltério em português bom e, ao mesmo tempo, inteligível. Também desejamos evitar que o som de certas frases tenha duplo sentido ou seja cacófono.
  9. Não é necessário às vezes acrescentar palavras para que a métrica funcione?
    Às vezes é necessário colocar sinônimos que se enquadrem melhor na métrica, porém, é um princípio da CBS que a ideia do texto original não seja alterada e que nenhum conceito estranho ao texto seja acrescentado. Caso seja necessário repetir alguma coisa para preencher uma estrofe, todo o cuidado é tomado para que a repetição seja facilmente identificável pelo leitor.
  10. Existem outros saltérios que seguem os mesmos princípios da CBS?
    O mais aproximado que conhecemos são o Book of Praise das CANRC e o Psalms of David in Metre (RPC Ireland) na suas revisões mais recentes. Contudo, esses saltérios são em língua inglesa, idioma que é mais maleável metricamente e que possui uma maior riqueza de vocabulário, possibilitando, assim, que haja uma incidência maior de rimas.

    No entanto, não sabemos de qualquer saltério disponível no mundo que tenha procurado seguir estritamente os princípios estipulados pela CBS no que tange à tradução em Português.
  11. Já houve algum saltério completo em português para o uso congregacional?
    Sim. Logo em 1703, Jacobus op den Akker publicou os "Psalmos del Rey e Propheta David", que incluía todos os 150 salmos com melodias genebrina. Houve uma segunda edição em 1738, provavelmente corrigida. Não tivemos acesso à versão de 1738 ainda, mas a tradução de 1703 é truncada e reflete a estrutura da língua portuguesa no início da modernidade sob a influência de Camões.

    Os salmos do primeiro hinário extensivo evangélico do Brasil, "Psalmos e Hymnos", organizado por Sarah Kalley, são paráfrases com acréscimo e subtração de ideias. As edições posteriores desse hinário subtraíram salmos e acrescentaram mais hinos extrabíblicos, até que a proporção final de salmos se tornou muito pequena e, portanto, o canto dos salmos passou a ser negligenciado no evangelicalismo brasileiro moderno.
  12. Por que voltar a cantar os salmos?
    Os salmos foram inspirados por Deus para serem entoados pelo Seu povo. Existe ordenança bíblica para o canto dos salmos. O canto dos salmos seria uma forma de trazer de volta conteúdo bíblico para o canto congregacional. Os salmos podem ser entoados sem reservas por quem creia na inspiração divina das Escrituras. Por isso, os salmos não correm risco de transmitirem erros doutrinários. Os salmos possuem um equilíbrio temático pouco encontrado em outras coletâneas de canto congregacional. Os salmos possuem uma linguagem pouco encontrada na música e na oração evangélica contemporânea. Os salmos são excelente guias de oração e veículos para o ensino de doutrinas. Os salmos falam acerca de Jesus Cristo de um modo bastante especial. Os salmos falam das principais doutrinas cristãs. Os salmos expressam tanto sentimentos individuais como coletivos. O equilíbrio entre ambos é pouco encontrado em hinos e outras canções evangélicas, que tendem mais ao individualismo. Os salmos podem ser pregados expositivamente no culto público e o povo pode ser instruído dessa forma especial a respeito do conteúdo daquilo que canta.
  13. O Saltério Brasileiro será disponibilizado de que formas?
    Pretendemos distribuir o conteúdo em cópia digital e em cópia física. Haverá gravações rudimentares para serem rapidamente distribuídas e haverá também gravações de melhor qualidade sonora e musical. O Saltério não será registrado no sistema de direitos autorais, e sim no sistema CreativeCommons, o que possibilitará a sua cópia e distribuição sem maiores custos, desde que o nome da CBS seja citado como responsável pela metrificação e desde que o texto publicado não sofra alteração.
  14. O Saltério Brasileiro também será disponibilizado para comunidades de fala portuguesa fora do Brasil?
    Sim, principalmente por meio digital e por tecnologia print-on-demand. Aceitamos sugestão sobre como distribuir em comunidades onde o acesso à internet e a compras on-line seja difícil, como, por exemplo, em Angola, Moçambique, Cabo Verde, S. Tomé e Príncipe, Timor Leste, Macau, Goa e outras localidades.
  15. Os salmos já prontos têm sido utilizados de forma ativa por alguma igreja local?
    Sim, no Brasil, por algumas igrejas presbiterianas e batistas. No exterior, por irmãos presbiterianos em Portugal. É nosso desejo divulgar ainda mais o Saltério com uma edição provisória, antes mesmo que todos os salmos estejam prontos.
  16. Como ensinar os salmos na igreja local?
    É importante que os membros da igreja saibam a importância de cantar os salmos e estudem o texto dos salmos para que cantem com entendimento. Também é importante que aprendam as melodias. Uma oficina ou simpósio de salmodia pode ser organizado.

    Os teólogos da Assembleia de Westminster (séc. XVII) estipularam, por causa da pouca disponibilidade de saltérios na época, que um líder da congregação com conhecimento musical (o precentor) fosse encarregado de determinar a tonalidade da música para o canto congregacional e de cantar linha por linha para a congregação repetir.

    Hoje a prática do canto alinhado (com o precentor entoando uma linha e a congregação repetindo, até o final do salmo) pode ser utilizada não por questão de acesso ao texto, mas por conta do desconhecimento generalizado das melodias. Até que elas sejam aprendidas, esse sistema possibilita que a congregação cante desde a primeira linha com organização e reverência.
  17. E os salmos longos? Como utilizá-los no culto público?
    Muitas igrejas adotam a prática de cantar somente alguns versículos em um salmo longo, dependendo do contexto litúrgico. É importante observar a unidade literária do texto na hora de fazer a divisão, bem como a unidade musical da estrofe (para que a música não seja interrompida no meio). Por exemplo, o Salmo 119, um salmo longo, é disposto em termos das letras do alfabeto hebraico, sendo cada uma dessas partes uma unidade literária. Por isso, mais uma vez, é necessário que o ministro e a congregação conheçam o conteúdo daquilo que haverão de cantar a fim de organizar a liturgia.
  18. Como escolher os salmos para o uso litúrgico?
    Há evidência histórica da utilização de tabelas (semelhantes a "lecionários") que tinham por finalidade o uso de todos os salmos ao longo do ano litúrgico. Alternativamente, os salmos podem ser escolhidos em função da aproximação de seu conteúdo temático com o momento específico na liturgia, ou então em função de sua aproximação com as leituras bíblicas e com o texto a ser exposto no sermão.
  19. Existe algum salmo específico associado aos sacramentos?
    Nas liturgias reformadas continentais, o Salmo 103 em geral é lido (dentre outras passagens bíblicas) durante a celebração da Ceia do Senhor. Na liturgia presbiteriana de John Knox, o Salmo 103 era cantado durante a Ceia do Senhor.
  20. Existe algum salmo específico associado à cerimônia de casamento?
    Nas formas litúrgicas reformadas para o casamento, os Salmos 127 e 128 são citados e aplicados.

Comissão Brasileira de Salmódia - 2017